sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Uma manobra do destino...

Após a notícia de que eu estava grávida, ficamos nervosos, não havíamos planejado ter um filho naquele momento, mas estávamos felizes, pois teríamos a família que um dia sonhamos...

Mas, o destino encarregou de mudar tudo isso e, no dia 03 de agosto de 2011, tivemos a notícia de que seu pai estava com uma aneurisma na aorta, um problema muito sério, pois a dilatação estava muito acima do comum. Os médicos indicaram uma cirurgia delicada, que deveria acontecer o quanto antes.
Naquele instante senti tudo se abalar, tive medo, chorei... e seu pai, com todo carinho e coragem segurou a minha mão e disse: "Não se preocupe, essa não é a primeira cirurgia que encaro, vamos fazer tudo de uma vez para que eu possa curtir muito esse moleque que está chegando", sim, ele já sentia [e sempre dizia] que seria um menino...

Passaram-se alguns dias entre exames e demais procedimentos para solicitar a cirurgia, até que o dia chegou e, no dia 18 de agosto de 2011, seu pai foi internado para realizar o processo cirúrgico. Chegamos cedo ao hospital, ficamos juntos o tempo todo, como se aproveitando cada minuto que tínhamos um com o outro. Um pouco antes de seguir para o centro cirúrgico, nos despedimos, ainda no quarto, ele colocou a mão em minha barriga, beijo e disse: "Até daqui a pouco filho"...

Após intermináveis 10 horas de cirurgia tivemos a notícia de que o lado direito do coração do seu pai havia parado, e ele ficaria em observação na UTI até estabilizar, entramos para vê-lo, seu avô Joaquim e eu, e nos deparamos com uma cena que jamais vou esquecer, ele totalmente desacordado, todo cheio de aparelhos e fios, com um tubo respiratório na boca, sem qualquer movimento ou reação... segurei em sua mão, me esforcei para não chorar, e orei, orei muito. Voltei para casa sentindo um vazio imenso e com muito medo.

A noite custou passar, não conseguia dormir, só pensava em voltar ao hospital para ficar ao lado dele. Então, às 7h da manhã lá estávamos novamente, seu avô e eu, para visitá-lo. Sem novidades, Mauro continuava desacordado, totalmente ligado aos aparelhos, nada havia mudado. Mais uma vez segurei sua mão e orei, pedindo a Deus que o tirasse daquela situação. E pela primeira vez, vi seu avô chorar, aquele japonês sério, calado e que quase nunca expressava sentimentos, estava sofrendo.

Voltei para casa, às 15h teríamos um novo horário de visitas e poderíamos conversar com os médicos, e eu tinha a esperança de ter boas notícias. Mas, infelizmente a boa notícia não veio, quando eu estava a caminho do hospital ele teve outra parada cardíaca, ninguém quis me contar, temiam por eu estar grávida, então apenas me ligavam perguntando se eu estava chegando... fiquei tensa, apreensiva, sentia que algo estava errado... e quando cheguei ao hospital, a notícia de que ele acabara de falecer...

Perdi a noção de tudo naquele instante, nada mais fazia sentindo, eu não sabia o que fazer ou pensar, apenas chorava desesperadamente... briguei com Deus, não achava justo ele ter levado seu pai dessa forma, naquele momento tão especial que estávamos vivendo, te esperando com tanto amor. Mas não houve jeito, seu pai se foi para sempre...

Dia 19 de agosto de 2011, o dia em que nossa vida mudou por completo...

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